Dirigentes discutem modelo de organização sindical na conjuntura de golpe

Sensibilizar os trabalhadores de que a situação do Brasil poderá se agravar mais caso não tenha um maior enfrentamento contra as reformas nefastas do governo Temer é um dos desafios do movimento sindical.

Essa questão foi um dos temas discutidos durante o ciclo de debates sobre “Democracia e Fortalecimento do Projeto Político-Organizativo da CUT”, iniciativa que pretende fortalecer o projeto político e organizativo da Central Única dos Trabalhadores no estado de São Paulo.

A atividade, promovida pelas secretarias de Organização e Política Sindical da CUT-SP, em parceria com a CUT Nacional, debate a conjuntura política e econômica nacional, estadual e os cenários e desafios para a organização sindical da CUT nos dias atuais, em que direitos conquistados nos últimos anos estão sendo extintos pelos apoiadores do golpe e que hoje estão no poder.

“Queremos sair deste encontro com um diagnóstico que vai nos ajudar nos próximos anos. Temos um modelo organizativo que precisamos pensar se ele dá conta da conjuntura que vivemos hoje ou não, pois estamos num quadro bastante complexo da vida dos trabalhadores do Brasil”, disse Ari Arolaldo do Nascimento, secretário de Organização e Política Sindical da CUT Brasil.

 

Papel junto aos trabalhadores

A atividade também segue resoluções definidas no 12º Congresso Nacional da CUT (CONCUT), que ocorreu em 2015. “No último congresso da CUT, saímos com a tarefa de crescer politicamente aqui em São Paulo. Se a gente fosse fazer uma avaliação hoje (da atuação da CUT-SP), acredito que cumprimos grande parte do papel que nos foi delegado, mas sabemos que, por conta da conjuntura, é preciso fazer ajustes do projeto organizativo da CUT”, afirmou Hélcio Aparecido, secretário de Organização da CUT-SP.

Já Sônia Auxiliadora, secretária de Política Sindical da CUT-SP, disse que essa ação pretende ajudar as entidades no enfrentamento dos ataques aos direitos pelos quais o Brasil passa. “A importância desse ciclo de debates é justamente organizar e fortalecer o trabalho dos sindicatos cutistas nesta atual conjuntura de retrocessos, compreendendo que são importantes instrumentos da luta da classe trabalhadora”.

Na mesa de abertura, também participaram Douglas Izzo, presidente da CUT-SP, e Maria Aparecida Faria, secretária-Geral adjunta da CUT Brasil, que já permaneceram para o momento seguinte do encontro, contribuindo com uma análise de conjuntura sobre esse momento de perda de direitos e criminalização da política e dos movimentos populares.

Douglas Izzo falou sobre as mais recentes tentativas de Temer de enfraquecer o movimento sindical no Brasil, que têm feito o enfrentamento e a luta contra as suas reformas. Citou o fato de o presidente ilegítimo ter colocando em regime de urgência projeto que limita a realização de greves de servidores públicos, ter feito a defesa do negociado sobre o legislado – quando o trabalhador negocia sozinho com o patrão-, e trazer à tona a discussão sobre o fim do imposto sindical.

Outra questão apontada é a constante mudança do governo em pontos da reforma da Previdência. “Ele joga para desmobilizar as categorias, mas ignora que somos classe e que vamos continuar fazendo o diálogo de classe. Não adianta tirar parte dos trabalhadores da reforma, pois manteremos nossa mobilização”, afirmou o dirigente.

Izzo reforçou a agenda de lutas da entidade para os próximos dias, como a greve geral que ocorrerá no próximo dia 28 e o ato político do 1º de Maio. “Dia 28 é de greve e vamos paralisar o Brasil todo por 24 horas, com participação de todas as categorias cutistas. E no Dia dos Trabalhadores (1º/5) teremos a grande mobilização e ato político na Avenida Paulista”.

Em seguida, Maria Aparecida Faria falou da necessidade de fortalecer o discurso nas bases dos ramos que integram a entidade, por meio de assembleias e diálogos individuais. “Os trabalhadores precisam compreender o que está acontecendo no Brasil e o papel que o sindicato possui nesse embate. O golpe ainda não se consolidou e o que estamos vendo é um desmonte total dos movimentos sociais e das instituições deste país. E agora começaram a criminalizar as centrais sindicais”, afirmou.

Para ela, é preciso desconstruir o discurso de “canto da sereia” que o governo impõe nas propagandas, quando diz que reformas e terceirização ilimitada irão diminuir custos para gerar empregos. “É um momento delicado, mas temos de manter a calma para fazer o diálogo com os trabalhadores e mostrar que precisamos frear as reformas em curso”.

 

Organização

A parte da tarde, de esclarecimentos sobre leis e orientações que regem o movimento sindical, foi conduzida por Ari Arolaldo do Nascimento e a equipe de assessoria da pasta de Organização e Política Sindical da CUT Brasil. Foram apresentados números da entidade, que a consolida como a maior central sindical do Brasil, da América Latina e a 5ª maior do mundo. Presente em todos os ramos de atividade econômica do país, a CUT tem mais de 3 mil entidades filiadas e representa 30,40% da base de trabalhadoras e trabalhadores. A segunda central aparece com 11,38%.

 

Agência de notícias da FEM-CUT/SP

Foto: Roberto Parizzotti

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