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O Centro de Apoio ao Migrante está
preparando para o próximo dia 14 de dezembro a Marcha pela Integração
dos Povos, que este ano terá como lema "Nossas vozes, nossos
direitos por um mundo sem muros".
De acordo com Paulo Illes, da coordenação do Centro,
o objetivo primeiro do evento é dar visibilidade aos graves problemas
enfrentados pelos latino-americanos em São Paulo, colocando para
a sociedade brasileira suas principais reivindicações.
"A defesa do trabalho decente, do trabalho digno, do direito à
participação cidadã, como o direito ao voto, ao
livre trânsito e residência na América do Sul são
algumas das bandeiras da marcha", esclareceu.
Conforme Illes, o próprio Ministério do Trabalho aponta
a existência de 400 mil sul-americanos no Brasil, sendo que apenas
233 mil encontram-se legais, os demais sendo submetidos à clandestinidade,
virando mão-de-obra barata para empresários sem escrúpulos.
"O direito à sindicalização desses trabalhadores
é algo essencial. Diante das condições de insegurança
e sem formação sindical, esses companheiros têm
séria dificuldade de recorrerem a seus direitos. É muito
importante que os Sindicatos possam entender esses trabalhadores como
parceiros e não como concorrentes, a fim de lutarem com mais
decisão pela sua regularização", defendeu.
Um dos graves problemas, ressaltou o coordenador do Centro de Apoio
ao Migrante, "é que o Estatuto do Estrangeiro, parido em
1980, em plena ditadura militar, não condiz com a realidade atual
de fortalecimento de integração regional e respeito aos
direitos humanos". O movimento defende a flexibilização
das leis de migração, "extremamente duras, restritivas
e criminalizadoras, onde o trabalhador migrante é visto como
uma ameaça à soberania nacional".
Na avaliação do Secretário de Políticas
Sociais da CUT Nacional, Expedito Solaney, "a solidariedade de
classe neste momento deve ser diretamente proporcional à injustiça
de que são vítimas esses companheiros". "A ação
dos cutistas precisa ser enfática para potencializar a luta contra
a discriminação, exigindo trabalho decente para os trabalhadores
brasileiros e migrantes, e estreitando os laços com o Centro
de Apoio ao Migrante, em defesa dos direitos", ressaltou.
Os Sindicatos interessados em apoiar a ação do Centro
podem ligar para os telefones (11) 2694.5428 e (11) 7186.7369. "Toda
e qualquer ajuda é bem-vinda", agradeceu Paulo Illes.
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