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Integração: nossas vozes, nossos direitos por um mundo sem muros
14/11/2008

O Centro de Apoio ao Migrante está preparando para o próximo dia 14 de dezembro a Marcha pela Integração dos Povos, que este ano terá como lema "Nossas vozes, nossos direitos por um mundo sem muros".

De acordo com Paulo Illes, da coordenação do Centro, o objetivo primeiro do evento é dar visibilidade aos graves problemas enfrentados pelos latino-americanos em São Paulo, colocando para a sociedade brasileira suas principais reivindicações. "A defesa do trabalho decente, do trabalho digno, do direito à participação cidadã, como o direito ao voto, ao livre trânsito e residência na América do Sul são algumas das bandeiras da marcha", esclareceu.

Conforme Illes, o próprio Ministério do Trabalho aponta a existência de 400 mil sul-americanos no Brasil, sendo que apenas 233 mil encontram-se legais, os demais sendo submetidos à clandestinidade, virando mão-de-obra barata para empresários sem escrúpulos. "O direito à sindicalização desses trabalhadores é algo essencial. Diante das condições de insegurança e sem formação sindical, esses companheiros têm séria dificuldade de recorrerem a seus direitos. É muito importante que os Sindicatos possam entender esses trabalhadores como parceiros e não como concorrentes, a fim de lutarem com mais decisão pela sua regularização", defendeu.

Um dos graves problemas, ressaltou o coordenador do Centro de Apoio ao Migrante, "é que o Estatuto do Estrangeiro, parido em 1980, em plena ditadura militar, não condiz com a realidade atual de fortalecimento de integração regional e respeito aos direitos humanos". O movimento defende a flexibilização das leis de migração, "extremamente duras, restritivas e criminalizadoras, onde o trabalhador migrante é visto como uma ameaça à soberania nacional".

Na avaliação do Secretário de Políticas Sociais da CUT Nacional, Expedito Solaney, "a solidariedade de classe neste momento deve ser diretamente proporcional à injustiça de que são vítimas esses companheiros". "A ação dos cutistas precisa ser enfática para potencializar a luta contra a discriminação, exigindo trabalho decente para os trabalhadores brasileiros e migrantes, e estreitando os laços com o Centro de Apoio ao Migrante, em defesa dos direitos", ressaltou.

Os Sindicatos interessados em apoiar a ação do Centro podem ligar para os telefones (11) 2694.5428 e (11) 7186.7369. "Toda e qualquer ajuda é bem-vinda", agradeceu Paulo Illes.


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