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O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
afirmou hoje que, apesar de o Brasil registrar a partir de agora um
crescimento menor do que apurava antes da piora da crise financeira
internacional, não há necessidade de interrupção
do crescimento, como deve ocorrer em outros países. De acordo
com o Fundo Monetário Internacional (FMI), os Estados Unidos,
os 15 países europeus que compartilham o euro (zona do euro)
e o Japão devem exibir taxas negativas de expansão em
2009 em função da queda do nível de atividade provocada
pelo crise de crédito.
"Para que possamos garantir a continuidade (do crescimento sustentável),
é preciso que os governos (federal e estaduais) tomem iniciativas
no sentido de atender os vários setores que estão apresentando
um estrangulamento momentâneo das linhas de crédito",
afirmou, durante solenidade realizada no Palácio dos Bandeirantes,
sede do governo estadual paulista.
O ministro ressaltou que, apesar da crise financeira internacional
causar efeitos em todo o mundo, inclusive ao Brasil, especialmente com
a redução de liquidez no sistema financeiro, o País
tem condições econômicas e financeiras sólidas
acumuladas nos últimos anos. "Isso nos dá condições
de continuidade do processo de crescimento sustentável que estamos
em curso. Vários setores produtivos estão em plena expansão
há alguns anos e não há razão para que ocorra
uma interrupção nesse crescimento."
"Não temos no Brasil os mesmo problemas que ocorreram nos
Estados Unidos e na União Européia (UE), que se meteram
em aventuras financeiras. Nós aqui não nos metemos, portanto,
temos de enfrentar os problemas resultantes dessa crise financeira internacional,
neutralizar os efeitos desses problemas da economia brasileira e dar
curso ao nosso processo de crescimento."
Indústria automotiva
O ministro fez os comentários no evento no qual o governador
José Serra (PSDB) anunciou a liberação de R$ 4
bilhões pela Nossa Caixa às financeiras de montadoras
para que essas instituições repassem o crédito
aos consumidores afim de elevar as vendas de carros baseadas em financiamentos.
Em seus comentários, Mantega frisou que há harmonia entre
as medidas que os governos federal e de São Paulo adotam para
estimular o nível de atividade e diminuir ao máximo os
efeitos da crise sobre a economia brasileira. O ministro ressaltou que,
na semana passada, o Banco do Brasil (BB) adotou uma ação
semelhante com a liberação de R$ 4 bilhões para
a indústria automotiva por meio dos bancos das montadoras de
veículos. "Já estamos com o conjunto de medidas que
deve dar à indústria automotiva brasileira condições
para que continue com crescimento bastante razoável, de forma
a (manter-se) como uma das maiores do mundo." Segundo ele, a indústria
brasileira de automóveis pode manter-se como o sexto maior mercado
de produção de veículos do mundo.
De acordo com o ministro, como o Brasil deve continuar crescendo enquanto
outros países registrarão taxas negativas de expansão
em 2009, a indústria automotiva terá no País bons
resultados. "No Brasil, podemos manter aquilo que conquistamos,
que é pelo menos o patamar de venda de 3 milhões de veículos
ao ano. E depois, vamos acelerar na medida que a situação
se normalizar."
Ao ressaltar as ações conjuntas dos governos federal
e do Estado para estimular as vendas de veículos, que somam R$
8 bilhões de recursos anunciados às financeiras pelo Banco
do Brasil (BB) e Nossa Caixa, Mantega destacou que o Poder Executivo
federal também adotou medidas que estimulam a produção
agrícola e o setor da construção civil, o que faz
parte de uma estratégia oficial para que as empresas brasileiras
continuem produzindo.
"O governo federal tem tomado ações para liberar
crédito para setores específicos. Continuamos fazendo
isso de modo a dar condições para que os empresários
brasileiros continuem produzindo, mantendo os empregos, gerando renda
e tributos, para que possamos dar continuidade ao processo de crescimento
sustentável. Continuamos a trabalhar em conjunto (governo federal
e estadual) para enfrentar a crise."
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