|
O aumento da renda do trabalhador
e a maior oferta de empregos que vêm ocorrendo desde 2005 só
continuarão se o governo reduzir a taxa de juros básicos
da economia, a Selic, e mantiver investimentos nas áreas de saúde
e de educação, além de construir escolas e hospitais.
Para isso terá que reduzir as despesas com pagamentos de juros
da dívida pública.
A posição foi manifestada nesta quarta-feira (12) em
entrevista coletiva pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), Marcio Pochman.
Estudo divulgado hoje pelo instituto mostra que a principal fonte de
renda do país em 2011 deverá vir do trabalho, caso a crise
financeira internacional não atrapalhe, daí a recomendação
de que o governo tome as medidas adequadas.
Segundo o estudo, a redução da Selic, que está
hoje em 13,75% se justificaria porque não está havendo
inflação de demanda, ou seja, aquecimento de consumo.
Marcio Pochmann lembrou que a distribuição de renda no
Brasil vem melhorando em período bem recente , com a redução
da desigualdade entre os que ganham mais e os que ganham menos. Ao mesmo
tempo, está ocorrendo maior participação do salário
na renda nacional.
"Toda vez que aumenta essa participação do salários
na renda nacional há redução da desigualdade e
há melhoria na distribuição de renda".
A. participação dos trabalhadores na renda nacional está
atualmente em 40% do Produto Interno Bruto (a soma das riquezas acumuladas
anualmente no país). Em 1980 essa relação era de
50% do PIB e nos anos 50 chegou a 56%.
Pochmann prega a necessidade de ser retomada a proporção
dos anos 50, em vista da situação atual da economia, de
forma a reduzir a desigualdade que existe entre a renda dos proprietários
e a dos trabalhadores no país.
A partir de 1990 houve uma série de transformações
no país, com o combate à inflação e à
abertura da economia mundial, promovendo alterações na
repartição da renda entre empregados e proprietários,
que ganham a partir da própria estrutura econômica que
têm.
Em 1990 os empregados (chamados no estudo de trabalhadores) tinham
renda superior à dos proprietários, proporção
que ficou reduzida com o passar do tempo, segundo o Ipea.
Somente em dois períodos nos últimos 17 anos, a renda
dos trabalhadores cresceu no cenário nacional. Primeiro, entre
1996 e 2001 e agora desde 2005, graças à combinação
entre a expansão do emprego e a remuneração dos
trabalhadores, com a execução pelo governo de gasto público
mais adequado visando a beneficiar as classes de baixa renda.
A desigualdade entre quem ganha mais e quem ganha menos não
diminuiu, segundo Pochmann, mas a distribuição entre os
trabalhadores melhorou. Ele advertiu, porém, que os bons sinais
colhidos a partir de 2005 podem ficar comprometidos com a crise financeira
internacional.
Pochmann alertou que as instituições financeiras não
estão promovendo a expansão do crédito na medida
do esforço do governo, que tem feito concessões. Segundo
ele, essas empresas estão preferindo aplicar em títulos
públicos ante a incerteza do momento, porque têm mais garantia
de remuneração do que emprestar ao setor produtivo ou
ao consumidor.
|