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Quando o presidente eleito dos Estados
Unidos, Barack Obama, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio
da Silva, se encontrarem, pode ser que o presidente Lula é quem
acabará "ensinando a Obama uma ou duas coisas", diz
um editorial desta quarta-feira do jornal americano The Christian Science
Monitor.
O editorial, intitulado "O Obama do Brasil", destaca o que
considera pontos comuns entre os dois líderes, afirmando que
"como Barack Obama, o presidente do Brasil veio da pobreza e da
esquerda política e chegou ao poder.Mas durante seis anos no
cargo, ele (Luiz Inácio Lula da Silva) governou do centro, aproveitando
os pontos fortes do mercado do Brasil, conquistando o respeito mundial".
The Christian Science Monitor afirma que uma série de reportagens
sobre o Brasil que o jornal publica esta semana mostra que o país
passou de "gigante adormecido" para um país mais ativo
"graças, em grande parte, à adoção
por (Luiz Inácio Lula) da Silva de soluções práticas
que agradam os investidores globais e também a maioria dos brasileiros",
lembrando que "os índices de popularidade dele são
muito altos".
"Em muitas áreas, tais como agricultura, política
social e diplomacia, o Brasil agora serve como modelo para outros países,
especialmente da África", diz o editorial, mencionando o
programa Bolsa Família como exemplo de "uma política
inovadora que une políticos da esquerda e da direita".
Líder regional
Sobre suas relações com o mundo, o jornal menciona a
reunião do último fim-de-semana do G20 em São Paulo,
em que Lula "repreendeu os Estados Unidos por sua responsabilidade
na crise financeira global, que também está afetando o
Brasil".
Mas ressaltou que "mais do que criticar, o ex-líder sindical
e fundador do Partido dos Trabalhadores também advertiu os países
contra recorrer ao protecionismo comercial". O jornal observa que
"Obama quer reformular o Nafta (tratado de livre comércio
entre EUA, México e Canadá)".
Lembrando que o ministro Assuntos Estratégicos brasileiro, Roberto
Mangabeira Unger, foi professor de Obama na Universidade de Harvard,
nos Estados Unidos, o jornal afirma que "o filósofo manteve
contato com Obama e pode servir como um elo no que pode ser uma poderosa
parceria para o Hemisfério Ocidental".
Por enquanto, "o Brasil está tendo um bom desempenho como
líder regional", de acordo com The Christian Science Monitor.
A presença militar brasileira no Haiti a serviço das Nações
Unidas, sua participação em "acalmar a ameaça
de guerra entre Colômbia e Venezuela" e as relações
com a Bolívia também são mencionados no editorial.
The Christian Science Monitor conclui que se o presidente brasileiro
"conseguir manter um nacionalismo saudável, ele vai encontrar
um parceiro em Obama em questões que vão de energia a
segurança".
"O ex-líder sindical e o ex-coordenador comunitário,
ambos sabem como negociar um acordo em prol do bem comum".
"Como (Luiz Inácio Lula) da Silva e Obama, Estados Unidos
e Brasil têm coisas demais em comum para não compartilhar
a liderança regional e global", diz o editorial.
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