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Revista de História da Biblioteca Nacional: Movimentos sindicais marcam a história do país
09/11/2008

Em 1968, o governo brasileiro decretava o Ato Institucional Número 5, o AI-5. Hoje, quarenta anos depois, lembramos de casos que marcaram não só o período ditatorial como toda a história do país. Na década seguinte depois do AI-5, o Brasil vivia o surgimento de uma classe que mudaria os rumos da política brasileira: a classe sindical. Completam-se mais de 30 anos dos movimentos que inauguraram a redemocratização no país.

Esse é o assunto do artigo assinado pelo professor de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marco Aurélio Santana, na mais nova edição da Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN). A década de 70 - em plena ditadura militar - é marcada pelo surgimento das mais importantes manifestações contra a exploração dos trabalhadores. Desde lá, de acordo com o IBGE, o número de Sindicatos no Brasil cresce sem parar. São mais de 15 milhões de associados, e este número tende a aumentar.

O professor Marco Aurélio Santana resgata o surgimento desses movimentos, que começaram no ABC Paulista, em 1974, com o Primeiro Congresso dos Metalúrgicos, onde surgiram as principais reivindicações da classe operária. O líder do sindicato veio a ser Luís Inácio Lula da Silva, que lutou pela reposição salarial.

Em 1978, uma onda de greves assustou os empresários: Mercedez-Benz, Saab-Scania, Volkswagen, Ford e outras montadoras de grande porte entraram em greve para contestar o não-cumprimento da promessa de aumento de salário feita pelos empregadores. A greve chegou a alcançar outros municípios, até que os empregados obtiveram aumento salarial.

Depois destas greves, o movimento sindical começou a sofrer alterações por todo o país: trabalhadores do Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul começaram a reivindicar os seus direitos. Em 1979, uma paralisação que envolveu mais de 170 mil trabalhadores chamou a atenção do Ministério do Trabalho, que ofereceu alguns benefícios aos grevistas. Com a recusa da proposta, os militares decretaram a invasão dos sindicatos.

Em 1980, como ainda persistissem as demandas, o governo reprimiu-as com mais força do que até então: os líderes foram presos e os sindicatos fechados. Mas isto não foi o suficiente para impedir os protestos: apesar dos confrontos entre policiais e operários, mais de 100 mil metalúrgicos se reúnem em São Bernardo do Campo para protestar contra a prisão de seus líderes.

O aumento salarial e novo olhar para os trabalhadores foi uma grande conquista obtida por meio destas greves. Mas elas também lançaram as bases para a "redemocratização da sociedade brasileira", com a criação do Novo Sindicalismo, da CUT e do PT.

A revista - Desde o seu lançamento em 2005, a Revista de História da Biblioteca Nacional oferece informação qualificada em artigos e matérias produzidos pelos mais importantes historiadores brasileiros. A publicação conta com a chancela e o rico acervo iconográfico da Biblioteca Nacional. Sua linguagem e apresentação agradável conquistaram um público abrangente independente de formação educacional ou área de atuação profissional.

Única em seu segmento editoria especializada em História do Brasil, a RHBN é distribuída mensalmente nas bancas de todo o país. O conteúdo integral de todas as edições da revista também pode ser acessado no endereço www.revistadehistoria.com.br.


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