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Em 1968, o governo brasileiro decretava
o Ato Institucional Número 5, o AI-5. Hoje, quarenta anos depois,
lembramos de casos que marcaram não só o período
ditatorial como toda a história do país. Na década
seguinte depois do AI-5, o Brasil vivia o surgimento de uma classe que
mudaria os rumos da política brasileira: a classe sindical. Completam-se
mais de 30 anos dos movimentos que inauguraram a redemocratização
no país.
Esse é o assunto do artigo assinado pelo professor de sociologia
da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marco Aurélio Santana,
na mais nova edição da Revista de História da Biblioteca
Nacional (RHBN). A década de 70 - em plena ditadura militar -
é marcada pelo surgimento das mais importantes manifestações
contra a exploração dos trabalhadores. Desde lá,
de acordo com o IBGE, o número de Sindicatos no Brasil cresce
sem parar. São mais de 15 milhões de associados, e este
número tende a aumentar.
O professor Marco Aurélio Santana resgata o surgimento desses
movimentos, que começaram no ABC Paulista, em 1974, com o Primeiro
Congresso dos Metalúrgicos, onde surgiram as principais reivindicações
da classe operária. O líder do sindicato veio a ser Luís
Inácio Lula da Silva, que lutou pela reposição
salarial.
Em 1978, uma onda de greves assustou os empresários: Mercedez-Benz,
Saab-Scania, Volkswagen, Ford e outras montadoras de grande porte entraram
em greve para contestar o não-cumprimento da promessa de aumento
de salário feita pelos empregadores. A greve chegou a alcançar
outros municípios, até que os empregados obtiveram aumento
salarial.
Depois destas greves, o movimento sindical começou a sofrer
alterações por todo o país: trabalhadores do Rio
de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul começaram a reivindicar
os seus direitos. Em 1979, uma paralisação que envolveu
mais de 170 mil trabalhadores chamou a atenção do Ministério
do Trabalho, que ofereceu alguns benefícios aos grevistas. Com
a recusa da proposta, os militares decretaram a invasão dos sindicatos.
Em 1980, como ainda persistissem as demandas, o governo reprimiu-as
com mais força do que até então: os líderes
foram presos e os sindicatos fechados. Mas isto não foi o suficiente
para impedir os protestos: apesar dos confrontos entre policiais e operários,
mais de 100 mil metalúrgicos se reúnem em São Bernardo
do Campo para protestar contra a prisão de seus líderes.
O aumento salarial e novo olhar para os trabalhadores foi uma grande
conquista obtida por meio destas greves. Mas elas também lançaram
as bases para a "redemocratização da sociedade brasileira",
com a criação do Novo Sindicalismo, da CUT e do PT.
A revista - Desde o seu lançamento em 2005, a Revista de História
da Biblioteca Nacional oferece informação qualificada
em artigos e matérias produzidos pelos mais importantes historiadores
brasileiros. A publicação conta com a chancela e o rico
acervo iconográfico da Biblioteca Nacional. Sua linguagem e apresentação
agradável conquistaram um público abrangente independente
de formação educacional ou área de atuação
profissional.
Única em seu segmento editoria especializada em História
do Brasil, a RHBN é distribuída mensalmente nas bancas
de todo o país. O conteúdo integral de todas as edições
da revista também pode ser acessado no endereço www.revistadehistoria.com.br.
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