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Quintino Severo coordenou reunião
realizada na sede nacional da Central Única dos Trabalhadores
Em reunião realizada na manhã da quarta-feira (29), na
sede nacional da Central Única dos Trabalhadores, as seis centrais
sindicais (CUT, Força, CGTB, CTB, NCST e UGT) sublinharam a importância
do investimento público e da valorização do trabalho
como elementos decisivos para impulsionar o desenvolvimento do mercado
interno no enfrentamento à crise internacional gerada pela especulação.
Diante da nova conjuntura externa, explicou o secretário geral
da CUT, Quintino Severo, há uma avaliação comum
das centrais de que a 5ª Marcha Nacional a Brasília deverá
enfatizar a luta por medidas de combate à crise - como a redução
dos juros - e de fomento aos investimentos nas áreas sociais
e de infra-estrutura, garantindo emprego, salário e direitos.
"Com a recessão batendo nos EUA, Europa e Japão,
e vindo para a América Latina, precisamos priorizar iniciativas
em defesa do nosso mercado interno, com uma resposta firme do Estado
brasileiro em apoio à classe trabalhadora e ao setor produtivo.
As centrais têm propostas, já amplamente debatidas na Jornada
pelo Desenvolvimento, e que precisam ser implementadas para que os trabalhadores
não paguem a conta da crise que é do sistema capitalista
e de sua lógica especulativa", declarou Quintino.
A secretária Nacional Sobre a Mulher Trabalhadora, Rosane Silva,
frisou que o momento acirra a disputa entre dois projetos antagônicos,
"onde nós defendemos contrapartidas sociais para os investimentos,
salário, empregos, direitos, enquanto a direita quer retirar
conquistas, manter o lucro do capital ampliando a exploração
da mão-de-obra. É isso o que não podemos permitir".
Para Rosane, "mais do que salvaguardas às empresas, temos
de dar garantias ao trabalhador".
As centrais vão pedir uma audiência com o presidente Lula
e divulgarão nas próximas horas nota conjunta alertando
o governo federal para a necessidade de redução dos juros
e manutenção dos programas sociais e das políticas
públicas, para que não sejam afetados os investimentos
em infra-estrutura, transporte e saneamento, consideradas áreas
sensíveis e geradoras de emprego.
Entre as reivindicações das centrais encontram-se a redução
da jornada de trabalho sem redução de salário -
medida que deve gerar mais de 2,2 milhões de empregos, sendo
o Dieese -, a ratificação das Convenções
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a 151
- que assegura o direito à negociação coletiva
no serviço público - e a 158 - que coíbe a demissão
imotivada -, e o fim do fator previdenciário, mecanismo cruel
inventado pelos tucanos para dificultar e arrochar aposentadorias. A
Marcha também vai erguer a bandeira do reajuste da tabela do
Imposto de Renda, fazendo justiça tributária a partir
de novas faixas de contribuição com descontos progressivos;
da defesa do Piso Salarial Nacional do Magistério, fundamental
para a melhoria da qualidade do ensino; e a defesa do patrimônio
nacional do Pré-sal para o povo brasileiro.
Em nome da União Geral dos Trabalhadores, Eduardo Rocha alertou
que já se fazem projeções da queda do PIB para
o próximo ano, "e nós sabemos da tragédia
que isso significa para o trabalhador: retração, achatamento
salarial, rotatividade, desemprego". Daí, revelou, "a
importância da nossa luta para reduzir os juros, para reduzir
a jornada, para ampliar as medidas de segurança do trabalhador
e impedir que os prejuízos sejam socializados".
Representando a Força Sindical, João Carlos Gonçalves
(Juruna) sublinhou o papel da mobilização unitária
para remover os obstáculos existentes nos poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, garantindo que a pauta dos trabalhadores
seja atendida e implementada. "Temos de jogar peso em Brasília",
enfatizou.
Para Pascoal Carneiro, da direção da Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), "a mobilização em
Brasília vai defender os interesses dos trabalhadores, sendo
contra qualquer benefício para quem faliu o sistema. A alternativa
não é atender o sistema financeiro, mas o setor produtivo.
Temos alternativa: afirmar o desenvolvimento com distribuição
de renda, com valorização do trabalho, com garantia de
direitos".
Dirigente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (CTTB), Moacyr
Auersvald defendeu que as centrais elaborem um documento conjunto, com
a contribuição do Dieese, para ser apresentado ao governo,
elencando medidas emergenciais.
A 5ª Marcha Nacional a Brasília terá como tema "Desenvolvimento
e valorização do trabalho", com concentração
prevista para o Estádio Mané Garrincha, de onde cerca
de 30 mil manifestantes sairão em passeata até o Congresso
Nacional. As centrais sindicais internacionais serão convidadas
para se somar ao ato.
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