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A partir do
próximo ano, o Instituto Nacional de Serviço Social (INSS) e a Previdência
Social lançarão um novo modelo de avaliação das perícias médicas no Brasil. O
objetivo é melhorar o atendimento e reconhecer o direito dos trabalhadores
portadores de doenças profissionais, que têm sofrido com “a alta programada”.
Uma das novidades é que o médico perito terá que conhecer o local onde o
trabalhador trabalha e relatará no seu laudo como é o exercício da sua função
no dia a dia.
Segundo o
INSS e a Previdência, desta forma será possível corrigir as injustiças e
levantar as condições das empresas em que mais adoecem os trabalhadores.
A
implementação deste novo modelo foi a tônica do Debate “Alta Programada no
ramo”, promovido pela Secretaria de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente
da FEM/CUT-SP, na terça, 22, na sede da FEM-CNM/CUT, em São Bernardo.
O evento
contou com a participação dos responsáveis pela nova mudança a Diretora de
Saúde do Trabalhador e das Perícias Médicas do INSS, Dra. Filomena Gomes Bastos
e o diretor de Saúde Ocupacional da Previdência, Remigio
Todeschini. Participaram do Debate dirigentes dos 14 sindicatos
metalúrgicos filiados à FEM no Estado, médicos do trabalho dos sindicatos
filiados, como Theo Darlington Mano de Oliveira do SMABC e Paulo Kaufman de
Sorocaba.
Críticas e aperfeiçoamento
Dirigentes
e médicos do trabalho dos sindicatos filiados fizeram uma série de
questionamentos à Dra. Filomena, relatando, por exemplo, as dificuldades de
acesso ao Portal do INSS/Previdência Social na internet. “Não estou conseguindo
cadastrar as minhas CATs (Comunicação de Acidente de Trabalho) no site em razão
que o sistema eletrônico só permite um diagnóstico e tenho inúmeros casos em
que relato várias doenças ocasionadas no local de trabalho. Por isso, tenho
feito o modelo manual, não agirei contra a minha ética médica. É preciso que
este sistema seja alterado urgente, por que prejudicará milhares de
trabalhadores”, disse Paulo Kaufman, médico do trabalho do Sindicato dos
Metalúrgicos de Sorocaba.
Outras
perguntas destacaram o papel do médico perito assistente, a contratação de mais
profissionais, a questão ética relacionada ao médico perito atender o paciente
e também atender a empresa entre outras.
A diretora
de Saúde do Trabalhador e das Perícias Médicas do INSS, Dra. Filomena,
ressaltou que quanto ao sistema eletrônico informará as limitações no
preenchimento da CAT e pedirá as alterações para que seja possível incluir mais
diagnósticos, sobre o médico assistente frisou que de acordo com a
resolução 1851 do Conselho Federal de Medicina (CFM), ele não pode se
pronunciar no caso de incapacidade, mas pode dizer o tempo estimado de repouso.
“Conceder o benefício não é sua atribuição, mas do perito”, completa.
Filomena
também anunciou que o INSS abriu concurso para contratar cerca de 700 médicos
peritos para todo o Brasil, sendo que o Estado de São Paulo contaria com cerca
de 70 profissionais – número baixo na avaliação dos sindicalistas e médicos do
trabalho. “O Ministério da Previdência anunciou investimento de R$ 42 milhões
para 2012. Os recursos não são muitos, mas a nossa intenção é melhorar no dia a
dia o sistema de perícias, CAT e atendimento ao trabalhador. Já demos um passo
importante ao informatizar o sistema. Sabemos das várias dificuldades, mas
estamos motivados a resolver estes problemas com a ajuda de vocês”, disse.
Com relação
ao médico perito exercer dupla função “atender o trabalhador e trabalhar na
empresa”, o diretor de Saúde Ocupacional da Previdência, Remigio Todeschini foi
enfático: “Isso é muito complicado, na minha opinião, isso jamais poderia
acontecer, o médico perito não deveria ter mais de um vínculo de trabalho.
Nesta situação, o laudo do paciente pode ficar comprometido”, explicou.
Filomena
completou e disse que qualquer denúncia de irregularidade da prática do médico
perito tem que ser denunciada ao órgão competente de classe da categoria. “Se
tiver que cortarmos na carne, vamos fazer. Temos um Código de Ética que dever
ser cumprido, bem como as leis que devemos seguir. O trabalhador que sentir
lesado por qualquer conduta arbitrária do perito deve denunciar e ligar no
número 135 da Previdência Social ”.
Pressão
O
Secretário de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente da FEM/CUT-SP, Nilson
Coutinho, disse que o Debate sobre Alta Programada foi rico do ponto de vista
de esclarecimentos e mostrou o esforço do INSS e da Previdência Social em
melhorar os “vácuos” do sistema previdenciário. “Percebemos que a legislação é
falha e a falta de recurso tem aumentado ainda mais as dificuldades. Mas
sabemos que para mudarmos esta situação a pressão do movimento sindical é
fundamental. Faremos o nosso papel, para que consigamos um sistema
previdenciário justo e igualitário que proteja os nossos trabalhadores e nossos
filhos”, finalizou.
Saiba o que é alta programada
Atinge
trabalhadores com doença profissional, originada no ambiente de trabalho.
Quando constatada, o trabalhador se afasta da empresa e passa a receber o
salário pelo INSS. Batizou-se de “alta programada” porque ele recebe a “alta
médica” do perito do INSS, sem ter condições de retornar ao trabalho. E isso
acontece porque o perito diagnosticou a sua doença como comum e não como
profissional.
Diante
desta situação, o trabalhador tem o pagamento do benefício suspenso pelo INSS e
mesmo sabendo que tem direito de entrar com recurso fica sem receber o salário,
por que nem o INSS e a empresa pagam.
Além de
ficar sem receber o salário, o trabalhador corre o risco de ser demitido por
justa causa. Infelizmente isso tem acontecido na prática no ramo metalúrgico
cutista.
Na base da FEM/CUT-SP, não há um levantamento dos casos de trabalhadores
demitidos em razão de terem doença profissional, mas este problema tem sido
comum no dia a dia dos sindicatos filiados.
Segundo
dados da Superintendência do INSS de São Paulo, 170 mil perícias médicas são
realizadas todo o mês.
Fonte: FEM
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