Fórum permanente vai
organizar a luta contra a terceirização que precariza as condições de trabalho
Foi
aprovado por aclamação nesta quinta-feira (17), em Brasília, o Manifesto (clique aqui para ler o texto) e a criação do Fórum
em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização.
Para o
professor José Dari Krein, do Cesit/Unicamp, "o manifesto é uma referência
no debate sobre a terceirização, na luta pela dignidade e pela manutenção dos
direitos dos trabalhadores que o Fórum vai realizar”.
O
texto, disse ele, foi escrito coletivamente por acadêmicos, juízes e
procuradores do trabalho preocupados com a possibilidade de o Congresso
Nacional aprovar Projetos de Lei (PL) que ampliam a terceirização e promovem
uma verdadeira reforma trabalhista, extremamente prejudicial aos trabalhadores.
Entre
as propostas que estão tramitando na Câmara dos Deputados, o mais preocupante é
o substitutivo do deputado Roberto Santiago (PV-SP) ao PL 4330/04, de autoria
do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO). Se aprovadas, propostas como a de Santiago
agravarão ainda mais a situação dos trabalhadores. Entre outros itens
negativos, o texto institucionaliza a terceirização e não garantem igualdade de
direitos aos trabalhadores.
Para
o presidente da CUT, Artur Henrique, o Fórum tem um papel absolutamente
fundamental, que é organizar a luta contra a terceirização que precariza as
relações de trabalho, ampliando o debate para diversos setores da sociedade.
“O
que estamos fazendo hoje é essencial para a defesa não só do trabalhador terceirizado
e da classe trabalhadora como um todo, e sim de toda a sociedade brasileira. É
a defesa da ordem jurídica do país”.
Segundo
Artur, é preciso regulamentar a terceirização, principalmente para defender os
direitos dos trabalhadores. E este é o único consenso entre as seis centrais
sindicais com relação a proposta do deputado Santiago, que deve ser votada na
Comissão do Trabalho, no dia 23, ressaltou o dirigente.
“Circulou
uma versão na Câmara de que existiria um grande acordo, um consenso entre todas
as centrais sindicais. Não é verdade. O único consenso que temos é que a
terceirização mata, piora as condições e a qualidade de vida do trabalhador”,
conclui Artur.
Um
massacre aos trabalhadores
O
deputado Vicentinho (PT-SP) conclamou os sindicalistas presentes ao lançamento
do Manifesto e do Fórum a se mobilizarem para impedir as votações programadas
na Câmara dos Deputados. Segundo ele, isso é fundamental porque a Casa debate a
questão da terceirização há mais de 20 anos, “sempre no sentido de tentar
legalizar a precarização”. E, apesar disso, muitos deputados da base aliada
estão dispostos a aprovar propostas domo a do deputado Santiago, que deve ser
votada no próximo dia 23, na Comissão do Trabalho, lamentou o deputado petista.
Vicentinho
disse que vai pedir um voto em separado durante a votação na semana que vem e
avisou que vai usar como argumento o Manifesto em Defesa dos Trabalhadores
Ameaçados pela Terceirização.
O
presidente da ANTP (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho), lembrou
que o texto do Manifesto coincide com o texto de uma nota técnica que a
associação fez e entregou aos deputados, inclusive o relator, apontando
algumas irregularidades no substitutivo.
Para
ele, ”o momento é de resistência porque esta proposta promove uma reforma
trabalhista completa afastando as figuras do empregado e empregador. E, como
disse o Artur e o Vicentinho, oficializará a precarização. Pior que isso, o
recrudescimento dessa precarização”.
Caixeta
encerrou dizendo que além de não atender os interesses dos trabalhadores,
a proposta de Santiago tem aspectos inconstitucionais.
O
juiz Valter Souza Pugliesi, da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da
Justiça do Trabalho) disse que a luta é para regulamentar a terceirização
ampliando os direitos dos trabalhadores e responsabilidades das empresas.
“É
preciso proibir a terceirização que precariza as condições de trabalho. E por
isso, não podemos permitir que propostas como a do Sandro Mabel e a do Santiago
sejam aprovadas”.
Para
o juiz Grijalbo Coutinho, presidente da Associação Latino-Americana de Juízes
do Trabalho, a criação do Fórum e a divulgação do Manifesto inicia a luta
contra a terceirização. “E a Anamatra”, garantiu, “está sempre junto de todos
que defendem os direitos dos trabalhadores” .
O Manifesto
O
Manifesto em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização
foi escrito coletivamente por representantes do Cescit/Unicamp (Centro de
Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho); da ANPT- (Associação Nacional dos
Procuradores do Trabalho (ANPT); da Anamatra (Associação Nacional dos
Magistrados da Justiça do Trabalho), Universidades Federais da Bahia e de Minas
Gerais, e Dieese.
A
CUT e a CTB foram as únicas centrais sindicais que aderiram ao manifesto, pelo
menos até esta quinta-feira. Durante o lançamento do Manifesto e do Fórum,
dezenas de dirigentes de federações e sindicatos de
trabalhadores ligados a CUT e a CTB assinaram o manifesto.
Para
assinar a petição pública concordando com os termos do manifesto, bastar clicar
no link:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N16145
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