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A
lucratividade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) tem despertado
cada vez mais a cobiça do governo e do Congresso. Como os ganhos não são
compartilhados com os cotistas, o dinheiro é visto, pelo Planalto, como fonte
de recursos para financiar obras públicas. Para agradar a possíveis eleitores,
os parlamentares apresentaram propostas para facilitar os saques ou melhorar a
rentabilidade, que atualmente perde de longe para a inflação.
Somente na
Câmara dos Deputados existem mais de 200 projetos para promover algum tipo de
alteração nas regras de saque ou remuneração das contas ativas de
trabalhadores. As propostas vão do uso do FGTS para compra de lotes para
construir a casa própria assim como para financiamento do ensino do cotista,
pagamento de tributos e despesas hospitalares. Outra iniciativa sugere
liberação do valor depositado para o caso de nascimento de filho ou casamento.
Atualmente,
o recurso pode ser sacado em circunstâncias restritas, como casos de demissão
sem justa causa ou aposentadoria e para compra da casa própria. No ano passado,
o lucro do fundo foi de R$ 5,4 bilhões. Mas os trabalhadores tiveram prejuízo
porque as cotas do FGTS renderam apenas 3% ao ano mais a variação da Taxa
Referencial (TR) - o que gerou um rendimento de 3,66%. Enquanto isso, a
inflação acumulada em 2010 foi de 5,19%. Essa situação deve se repetir em 2011.
Pela
estimativa de Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Ciências Contábeis
da Faculdade Santa Marcelina, este ano, se confirmada a projeção de inflação
pelo IPCA de 6,5% e a remuneração de 4,29% dos depósitos do FGTS, os
trabalhadores podem contar com uma perda real de 2,21%.
Distribuição
Foi com o objetivo de reduzir as perdas do
trabalhador que a senadora Marta Suplicy (PT-SP) propôs a distribuição do
lucro, tendo em vista que o patrimônio líquido do FGTS cresceu 21,8% em 2008,
em relação a 2007, e 9,3% em 2009, na comparação com o ano anterior. Nesse
caso, pelo menos 50% do lucro seria distribuído aos cotistas do fundo.
Para
técnicos do governo, existe a necessidade de se negociar uma proposta para que
os trabalhadores se beneficiem do elevado lucro do FGTS, porém, propõem que o
limite de repasse seja de no máximo 50%. Isso seria necessário para que as
políticas públicas - investimentos em habitação e saneamento básico - não
percam recursos.
A Força
Sindical vai propor uma mesa de negociação envolvendo representantes das
centrais, empresários e governo para elaboração de um projeto de lei sobre o
assunto. Para o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, a
medida é um importante instrumento de distribuição de renda, e vai ajudar a
fomentar o mercado interno.
Para Jacy
Afonso de Melo, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no
Conselho Curador do FGTS, além da distribuição dos lucros, é preciso mudar a
forma de remuneração das contas para, pelo menos, 6% ao ano mais a variação da
TR, o que equipararia a rentabilidade do Fundo à da caderneta de poupança.
O debate em
torno da distribuição de dividendos do FGTS para o cotista deve se intensificar
ainda mais nos próximos meses. A partir de junho de 2012, serão retirados da
contabilidade do FGTS os registros da antecipação dos pagamentos de diferença
de planos econômicos como o Verão e o Collor I.
Com isso, a
lucratividade do fundo será ainda maior no próximo ano. Na avaliação de alguns
técnicos do governo, a mudança pode abrir espaço para uma negociação sobre
distribuição de dividendos do FGTS para os cotistas. / E.S.
Do Estadão
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