No 8 de Março, mulheres vão às ruas contra a reforma da Previdência

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As mulheres ganham salários menores, representam maioria entre os desempregados e trabalham até cinco horas a mais na semana do que os homens. Esta realidade explica porque hoje as trabalhadoras alcançaram o direito de se aposentar cinco anos antes dos homens, conquista que o governo Temer agora pretende tirar.

É contra esta e outras violências que as mulheres cutistas irão às ruas neste dia 8 de março, para marcar a passagem de mais um Dia Internacional da Mulher. Na cidade de São Paulo, as atividades começam às 14 horas, em frente ao prédio do INSS, no Viaduto Santa Efigênia, região central da cidade, com assembleia das trabalhadoras contra a Reforma da Previdência, medida que tramita atualmente na Câmara dos Deputados como Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287.

Nesta proposta, as mulheres vão ter que trabalhar mais e tanto quanto os homens. Ela acaba com critérios diferentes de gênero e adota idade mínima de 65 anos para trabalhadores e trabalhadoras como condição para requerer a aposentadoria.

Ato unificado

Depois da assembleia, manifestação se soma ao ato unificado na Praça da Sé, cujo mote é “Aposentadoria fica, Temer sai. Paramos pela vida das mulheres”, com concentração às 15h e caminhada às 17h. A mobilização também trata sobre a violência contra as mulheres.

Para a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, as mulheres no meio rural, professoras e servidoras públicas serão as principais atingidas se a Previdência for modificada como quer o governo Temer. “O mais cruel desta proposta, além dos segmentos que serão afetados, é que desconsidera a nossa dupla e até tripla jornada. Esta proposta vem trazer maior castigo para nós, mulheres, e se não barrarmos esta reforma, os direitos serão enterrados para as próximas gerações. Depois do dia 8, vamos paralisar geral no dia 15 de março”, adianta a dirigente.

É neste momento de ameaça a direitos conquistados pelas lutas dos trabalhadores que os movimentos sociais, centrais sindicais e sindicatos devem estar unidos para fazer o enfrentamento, acredita a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Ana Lucia Firmino. “Lutamos muito para chegar até aqui e os golpistas querem tirar tudo de uma vez. Querem dar fim aos direitos trabalhistas e sociais, sem considerar a nossa realidade”, afirma.

Com o golpe, o governo Temer oferece à sociedade um pacote de maldades e a passagem do 8 de Março oferece a oportunidade de dizer não à retirada de direitos, diz a secretária de Comunicação da CUT-SP, Adriana Magalhães. “Sabemos que seremos as mais atingidas. Nossa ação no dia 8 será internacional e iremos às ruas porque não aguentamos mais tanta violência, retrocesso, um sistema que humilha e exclui os filhos e filhas do Brasil, num cenário machista e preconceituoso. Não será um dia de celebração, mas de luta”.


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